Goiânia, 3 de julho de 2008

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Kelizandra nunca mais cantará no coral da igreja

Maria José Silva

O coral da Igreja Assembléia de Deus, na Avenida Nerópolis, no Setor Gentil Meireles, nunca mais será o mesmo. Uma das integrantes mais dedicadas do grupo, a menina Kelizandra de Souza Lima, de 12 anos, morreu na madrugada de ontem, seis dias depois de ter caído pela porta de um ônibus em movimento. O corpo da garota foi velado no salão do templo religioso, onde ela, além de orar e cantar, participava de coreografias na companhia de amigas evangélicas. Ela foi sepultada à tarde.

O acidente que resultou na morte da menina aconteceu pouco depois das 14 horas do dia 26, em uma curva na esquina da Ruas H e F, no Jardim Progresso. Kelizandra, conforme informações do pai, o motorista Raimundo Júnior de Souza Lima, de 28 anos, retornava das aulas no Colégio Assis Chateaubriand, em Campinas, onde cursava o 6º ano do ensino fundamental. Para ir e voltar da escola, ela pegava o ônibus da empresa Guarany Transportes, que faz a linha Campinas-Fama.

Testemunhas informaram aos familiares de Kelizandra que ela estava prestes a descer do coletivo de número 5548 quando foi arremessada para fora e bateu com a cabeça no chão. O motorista, cuja identidade não foi informada à Polícia Civil, teria aberto a porta traseira antes de chegar ao ponto em que a menina desceria. A vítima foi levada para o Hospital de Urgências de Goiânia. Ela resistiu ao estado de saúde gravíssimo por menos de 24 horas. Na madrugada de sexta-feira, os médicos constataram morte cerebral.

A ocorrência sobre o desastre foi encaminhada ontem à Delegacia de Investigações de Crimes de Acidentes de Trânsito (DICT). A delegada Edilma de Freitas informou que vai enviar ofício à empresa solicitando a identificação do motorista para intimá-lo a depor. Para ela, não há dúvidas de que condutor agiu com imprudência ao trafegar com a porta aberta. Esse tipo de conduta, acentua a delegada, pode resultar no aumento da pena em 50%.

Emocionado com a morte violenta da filha, Raimundo Lima acentuou que vai lutar por justiça. Ele disse que, até ontem, nenhum representante da Guarany Transportes havia procurado a família para oferecer ajuda. O gerente de Planejamento da Guarany Transportes, Alânio Garcia, informou à TV Anhanguera que o condutor do coletivo foi colocado fora da escala até que as circunstâncias do acidente sejam apuradas. Ele garantiu que a empresa instaurou procedimentos administrativo e jurídico para investigar o caso e estudar a assistência à família da garota.

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