| Kelizandra nunca mais cantará no coral da igreja Maria José Silva
O coral da Igreja Assembléia de Deus, na Avenida Nerópolis,
no Setor Gentil Meireles, nunca mais será o mesmo. Uma das integrantes mais dedicadas do
grupo, a menina Kelizandra de Souza Lima, de 12 anos, morreu na madrugada de ontem, seis
dias depois de ter caído pela porta de um ônibus em movimento. O corpo da garota foi
velado no salão do templo religioso, onde ela, além de orar e cantar, participava de
coreografias na companhia de amigas evangélicas. Ela foi sepultada à tarde.
O acidente que resultou na morte da menina aconteceu pouco
depois das 14 horas do dia 26, em uma curva na esquina da Ruas H e F, no Jardim Progresso.
Kelizandra, conforme informações do pai, o motorista Raimundo Júnior de Souza Lima, de
28 anos, retornava das aulas no Colégio Assis Chateaubriand, em Campinas, onde cursava o
6º ano do ensino fundamental. Para ir e voltar da escola, ela pegava o ônibus da empresa
Guarany Transportes, que faz a linha Campinas-Fama.
Testemunhas informaram aos familiares de Kelizandra que ela
estava prestes a descer do coletivo de número 5548 quando foi arremessada para fora e
bateu com a cabeça no chão. O motorista, cuja identidade não foi informada à Polícia
Civil, teria aberto a porta traseira antes de chegar ao ponto em que a menina desceria. A
vítima foi levada para o Hospital de Urgências de Goiânia. Ela resistiu ao estado de
saúde gravíssimo por menos de 24 horas. Na madrugada de sexta-feira, os médicos
constataram morte cerebral.
A ocorrência sobre o desastre foi encaminhada ontem à
Delegacia de Investigações de Crimes de Acidentes de Trânsito (DICT). A delegada Edilma
de Freitas informou que vai enviar ofício à empresa solicitando a identificação do
motorista para intimá-lo a depor. Para ela, não há dúvidas de que condutor agiu com
imprudência ao trafegar com a porta aberta. Esse tipo de conduta, acentua a delegada,
pode resultar no aumento da pena em 50%.
Emocionado com a morte violenta da filha, Raimundo Lima
acentuou que vai lutar por justiça. Ele disse que, até ontem, nenhum representante da
Guarany Transportes havia procurado a família para oferecer ajuda. O gerente de
Planejamento da Guarany Transportes, Alânio Garcia, informou à TV Anhanguera que o
condutor do coletivo foi colocado fora da escala até que as circunstâncias do acidente
sejam apuradas. Ele garantiu que a empresa instaurou procedimentos administrativo e
jurídico para investigar o caso e estudar a assistência à família da garota. |