Cristiano Borges

Leonardo Dias Mendonça coloca
goma de mascar na boca durante audiência na Justiça |
Traficante quer
contas de bens
Preocupado com informações
de que as fazendas seqüestradas
teriam sido dilapidadas, Leonardo
Dias Mendonça recorreu à Justiça
Waldineia Ladislau
Dos bens avaliados em mais de R$ 25 milhões, em 2005, que
incluem fazendas, mansões, apartamentos e lotes, pertencentes aos integrantes de uma das
maiores quadrilhas de tráfico de drogas já descoberta no País, a maioria dos bens
seqüestrados são de Leonardo Dias Mendonça. Por isso, ele requereu na 5ª Vara Federal
em Goiânia, que determinou o seqüestro dos seus bens, que verificasse, principalmente, a
situação das fazendas no Pará.
Ontem, durante a tarde toda e início da noite, os
administradores e depositários fiéis dos bens tiveram de prestar contas numa audiência
de justificação presidida pelo juiz federal substituto Marcelo Meireles Lobão. As
denúncias de Leonardo vão desde sumiço de 3 mil cabeças de gado a preço aviltante da
arroba de boi vendido em uma das propriedades, até valores pagos por aluguel de pastos.
Alguns dos administradores disseram que começaram a cuidar
dos imóveis há poucos meses e confirmaram que eles não estavam em boas condições. O
juiz federal salientou que a solução mais viável seria a venda dos bens e o depósito
em conta judicial remunerada dos valores obtidos, o que estava sendo providenciado pela
Vara, mas o leilão foi suspenso por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região
(sede em Brasília).
A suspensão dificultou a manutenção dos imóveis,
principalmente as fazendas de gado e de cacau no Pará. Como o TRF foi provocado pelo
próprio Leonardo, que não queria a venda de seus bens, a situação, salientou o juiz,
se complicou, diante da dificuldade em manter a administração de bens que estão tão
distantes da sede da Justiça Federal.
Parte honesta
Ouvido na audiência de ontem, o traficante admitiu envolvimento com tráfico de drogas,
mas salientou que boa parte de seus bens foram adquiridos de forma lícita, e
estão devidamente declarados no Imposto de Renda.
Leonardo Mendonça é apontado como líder de quadrilha
investigada pela Polícia Federal (PF) na Operação Diamante. Depois de dois anos de
investigações, com base em inquérito policial, o Ministério Público Federal denunciou
37 pessoas, das quais, 33 foram condenadas por participação em esquema de tráfico de
drogas no Suriname, Venezuela e Colômbia, com o uso de aviões pequenos e de pistas
clandestinas, trazendo para o País algumas toneladas de cocaína. Leonardo foi condenado
a 43 anos de reclusão, teve diminuição em 5 anos, e responde, ainda por tráfico de
drogas em outros Estados. Já tem uma condenação também em Mato Grosso.
Bom comportamento
Apesar da pena de 38 anos, Leonardo Mendonça fez questão de levar na Justiça Federal, a
certidão carcerária 809/ 08, que informa sobre bom comportamento. Além disso, a
certidão demonstra que, desde sua prisão, em 2003, tem trabalhado costurando bolas e que
já trabalhou 993 dias. Segundo a legislação, ele já tem direito a remir, no momento,
331 dias de pena.
A sentença condenatória ainda não é definitiva, e caso
venha a ser absolvido, todos os bens teriam de ser devolvidos a ele. A não ser que seja
processado e condenado por lavagem de dinheiro, que é outro caso, ainda sob
investigação da PF. |