MÚSICA
MÚSICAS NAS
ESCOLAS
A Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania
da Câmara aprovou projeto de lei de Roseana Sarney
que inclui a música no currículo da educação básica. |
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Mário Luiz Thompson

Cartola: compositor cujo centenário é comemorado este ano
é relembrado em discos |
Mais cartolagens.
Das boas
CDs prestam a Cartola a homenagem que lhe foi negada
na passarela do samba no carnaval deste ano
Edson Wander
Vem em forma de discos a homenagem negada na avenida do samba
a Angenor de Oliveira, o compositor Cartola (1908-1980). Como se sabe, a escola de samba
Mangueira trocou a homenagem prevista ao centenário de Cartola neste ano por outro
centenário (atrasado) do frevo. A negociação rendeu um patrocínio da Prefeitura de
Recife (PE) à Mangueira no valor de R$ 3 milhões.
Mas os músicos, alheios a conchavos extramusicais e
sabedores da importância de Cartola não só para o samba, vão fazendo suas
reverências. Pelas mãos de craques chorões, capitaneados pelo cavaquinista Henrique
Cazes, o repertório de Cartola volta em forma de choro em Chora Cartola, enquanto a
cantora paulista Cida Moreira fez outro tributo fino à obra de Cartola num álbum de 16
faixas batizado apenas como Angenor.
Para Chora Cartola, Henrique Cazes convocou alguns dos
melhores solistas de cordas e sopros em atividade no Rio de Janeiro. Cada um sola uma
faixa da lista, composta em maioria por clássicos do sambista inventor da Mangueira. Das
15 músicas, só Sofreguidão (Cartola com Elton Medeiros, de melodia executada pelo
próprio Cazes) e Que Sejam Bem-Vindos (só de Cartola solada ao clarinete por
Paulo Sérgio Santos, a música exibe acordes muito próximos de As Rosas Não Falam) não
são bem conhecidas do público.

Disco: Chora Cartola
Artistas: várias
Gravadora: Deckdisc
Preço: R$ 25,00

Disco: Angenor
Artista: Cida Moreira
Gravadora: Lua
Preço: R$ 20,00
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Quando reescrevia as músicas para a formação de choro,
Henrique Cazes disse que voltou a se admirar com a capacidade e os recursos composicionais
que Cartola usava intuitivamente. Utilizava com maestria acordes de empréstimo
modal, modulações variadas, pedais invertidos e toda uma série de recursos que
aparentemente só os eruditos dominam, escreveu Cazes no encarte do álbum.
Como a música de Cartola tem muito de seu lirismo sugerido
também pela poesia, a seleção de Chora Cartola acabou com uma canção (A Canção Que
Chegou, de Cartola e Nuno Veloso) defendida por outra revelação da Lapa carioca: o
cantor Moyses Marques.
Termina como começa o disco de Cida Moreira, outro
compêndio a mostrar de outro ângulo toda a beleza da música de Cartola.
Como é cantora, Cida optou por regravar as canções de
Cartola como elas são. Cercou-se de bom time de músicos de São Paulo (ou lá
radicados), arrebanhados pelo violonista e produtor Omar Campos. E a maioria das 16 faixas
também é das mais conhecidas, com exceção de Feriado na Roça, uma toada caipira (sim,
o mestre do samba também fez música caipira, assim como Gonzagão não fez só baiões).
Nessa toada (com viola caipira), há a ponta especial de
Oswaldinho do Acordeon. Conta a história do cabloco que perde seu amor para um rapaz da
cidade, desilusão que acaba em tiros.
O que a audição dos discos reforçam (há um terceiro na
praça: Bate Outra Vez Vol. 2, compilação de diferentes intérpretes de Cartola
lançada pela Som Livre) é a impressionante beleza que há na criação simples de
Cartola, um homem semi-analfabeto, marcado por dificuldades pessoais e familiares, mas
dotado de um raro senso de melodia, harmonia, andamento, com uma conjugação ímpar de
letra e música. Não é à toa que o adjetivo gênio lhe cai bem.
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