Goiânia, 02 de julho de 2008

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MÚSICA
MÚSICAS NAS ESCOLAS

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
da Câmara aprovou projeto de lei de Roseana Sarney 
que inclui a música no currículo da educação básica.

Mário Luiz Thompson

Cartola: compositor cujo centenário é comemorado este ano é relembrado em discos

Mais cartolagens.
Das boas

CDs prestam a Cartola a homenagem que lhe foi negada na passarela do samba no carnaval deste ano

Edson Wander

Vem em forma de discos a homenagem negada na avenida do samba a Angenor de Oliveira, o compositor Cartola (1908-1980). Como se sabe, a escola de samba Mangueira trocou a homenagem prevista ao centenário de Cartola neste ano por outro centenário (atrasado) do frevo. A negociação rendeu um patrocínio da Prefeitura de Recife (PE) à Mangueira no valor de R$ 3 milhões.

Mas os músicos, alheios a conchavos extramusicais e sabedores da importância de Cartola não só para o samba, vão fazendo suas reverências. Pelas mãos de craques chorões, capitaneados pelo cavaquinista Henrique Cazes, o repertório de Cartola volta em forma de choro em Chora Cartola, enquanto a cantora paulista Cida Moreira fez outro tributo fino à obra de Cartola num álbum de 16 faixas batizado apenas como Angenor.

Para Chora Cartola, Henrique Cazes convocou alguns dos melhores solistas de cordas e sopros em atividade no Rio de Janeiro. Cada um sola uma faixa da lista, composta em maioria por clássicos do sambista inventor da Mangueira. Das 15 músicas, só Sofreguidão (Cartola com Elton Medeiros, de melodia executada pelo próprio Cazes) e Que Sejam Bem-Vindos (só de Cartola – solada ao clarinete por Paulo Sérgio Santos, a música exibe acordes muito próximos de As Rosas Não Falam) não são bem conhecidas do público.


Disco:
Chora Cartola
Artistas: várias
Gravadora: Deckdisc
Preço: R$ 25,00


Disco:
Angenor
Artista: Cida Moreira
Gravadora: Lua
Preço: R$ 20,00

Quando reescrevia as músicas para a formação de choro, Henrique Cazes disse que voltou a se admirar com a capacidade e os recursos composicionais que Cartola usava intuitivamente. “Utilizava com maestria acordes de empréstimo modal, modulações variadas, pedais invertidos e toda uma série de recursos que aparentemente só os eruditos dominam”, escreveu Cazes no encarte do álbum.

Como a música de Cartola tem muito de seu lirismo sugerido também pela poesia, a seleção de Chora Cartola acabou com uma canção (A Canção Que Chegou, de Cartola e Nuno Veloso) defendida por outra revelação da Lapa carioca: o cantor Moyses Marques.

Termina como começa o disco de Cida Moreira, outro compêndio a mostrar de outro ângulo toda a beleza da música de Cartola.

Como é cantora, Cida optou por regravar as canções de Cartola como elas são. Cercou-se de bom time de músicos de São Paulo (ou lá radicados), arrebanhados pelo violonista e produtor Omar Campos. E a maioria das 16 faixas também é das mais conhecidas, com exceção de Feriado na Roça, uma toada caipira (sim, o mestre do samba também fez música caipira, assim como Gonzagão não fez só baiões).

Nessa toada (com viola caipira), há a ponta especial de Oswaldinho do Acordeon. Conta a história do cabloco que perde seu amor para um rapaz da cidade, desilusão que acaba em tiros.

O que a audição dos discos reforçam (há um terceiro na praça: Bate Outra Vez – Vol. 2, compilação de diferentes intérpretes de Cartola lançada pela Som Livre) é a impressionante beleza que há na criação simples de Cartola, um homem semi-analfabeto, marcado por dificuldades pessoais e familiares, mas dotado de um raro senso de melodia, harmonia, andamento, com uma conjugação ímpar de letra e música. Não é à toa que o adjetivo gênio lhe cai bem.

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