Goiânia, 02 de julho de 2008

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Álcool e transporte público no Brasil

A nova lei que torna crime dirigir com qualquer quantidade de álcool no organismo é importante, mas, como quase tudo no Brasil, chega de forma atrapalhada.

Antes de aplicar uma lei tão dura assim, não seria o caso de resolver primeiro a questão do transporte público?

Com um sistema de ônibus falho, que ainda por cima não funciona de madrugada; com o preço das viagens de táxi, e com uma cultura governamental que constrói viadutos em vez de metrôs, as pessoas vão se locomover como?

Não defendo que se deva sair por aí dirigindo embriagado (apesar de que parece que alguns governantes dirigem a nossa vida assim). Mas é chato ver se repetir a velha história: no Brasil, parecemos nunca atacar a causa dos problemas. Só aplicamos aquela lustradinha, para ficarmos com aparência de europeus, sem ter a base sólida que eles construíram.

Vamos nos preparar para os shows de jeitinhos brasileiros que vêm por aí.

JANAÍNA VIEIRA
Setor Pedro Ludovico - Goiânia

¤ O bafômetro está na boca do povo. A tolerância zero está mexendo com a população brasileira. Nos quatro cantos do País, só se fala nisso. De um lado, gritam aqueles que atuam no comércio de bebidas alcoólicas e os que acreditam que dirigem melhor após a ingestão de álcool. E olha que é uma multidão.

Dados estatísticos contestam essa crença e apontam que 30 mil pessoas morrem anualmente vítimas de acidentes de trânsito e que 65% delas estavam alcoolizadas ou foram vítimas de motoristas bêbados.

Do outro, estão vozes que desejam que a lei seja aplicada com bastante rigor para que tenhamos um trânsito seguro e, conseqüentemente, menos procura por serviços funerários.

Pelo número de motoristas presos a partir da vigência da lei, pode-se prever um aquecimento na área da construção civil, em virtude da necessidade de construção de cidades-presídios.

JEOVAH FERREIRA
Taquari - DF


Metrô e aeroporto em Goiânia

O prefeito Iris Rezende demonstrou esperteza ao criticar propostas de um serviço de metrô em Goiânia. Ele bem sabe que obras desse porte dependem de parceria com o governo federal. E Goiás não possui políticos influentes para conquistar esse apoio fundamental.

As obras do novo terminal de passageiros do Aeroporto Santa Genoveva, por exemplo, estão paralisadas há mais de um ano.

PAULO CLEMENTE DE MORAIS
Setor Centro Oeste - Goiânia


Concurso na odontologia

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) se solidariza com o cirurgião-dentista Virgílio Freitas, autor de carta publicada sexta-feira, denunciando a morosidade da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia na contratação dos aprovados no último concurso da Prefeitura.

De acordo com o colega, eram 230 vagas, mas até agora só foram chamados 105 profissionais. Enquanto isso, a secretaria continua renovando contratos de prestação de serviço, apesar da grande quantidade de concursados aprovados aguardando nomeação – profissionais capacitados, selecionados de forma democrática, por sua capacitação e conhecimento técnico. O Conselho conclama todos os profissionais que estão na mesma situação, não só em Goiânia, mas também em outros municípios, a se manifestar. Que tenham a mesma coragem e denunciem não só aos jornais, mas aos órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público do Trabalho.

É o que o Conselho tem feito de forma sistemática nos últimos cinco anos. Foi em decorrência de denúncia do CRO-GO que mais de 150 prefeituras goianas começaram a ser investigadas e acabaram sendo obrigadas a realizar concursos públicos. Mesmo depois de pressionadas pela Procuradoria Regional do Trabalho, várias prefeituras parecem resistir a cumprir a lei. O Conselho recebeu várias denúncias de fraudes em concursos, já encaminhadas ao Ministério Público estadual. O CRO-GO está vigilante e acompanhará com rigor a apuração dos casos, para que a Constituição Federal seja respeitada.

ANSELMO CALIXTO
Presidente do Conselho Regional de Odontologia de Goiás


Qualidade do ensino

Ao ler o artigo intitulado Pela qualidade do ensino, do advogado e professor Jônathas Silva, publicado sábado, no qual ele ressalta a preocupação da Ordem dos Advogados do Brasil e da Ordem dos Médicos do Brasil com a qualidade de ensino dos respectivos cursos, perguntei-me se a questão da má qualidade de ensino se resume ao grande número de cursos existentes, decorrente da indiscriminada autorização para funcionamento concedida pelo Ministério da Educação, bem como de uma precária fiscalização.

Entendo que esses são fatores que contribuem para a precária qualidade dos profissionais, não apenas dessas áreas específicas do conhecimento, mas das demais áreas. Mas não creio que seja o principal aspecto. Falo isso porque na qualidade de professora universitária, mais precisamente do curso de direito, convivi com as mais diversas situações, conheci o lado das instituições de ensino, mas, sobretudo, conheci o lado do corpo discente e deparei-me com alunos que, apesar da força de vontade, terão poucas chances de competir no mercado de trabalho.

E isso, afirmo sem qualquer dúvida, não é conseqüência do grande número de instituições privadas de ensino superior que lhes permitiram, sem um maior esforço, adentrar pelas portas das universidades, mas é um triste reflexo do precário ensino fundamental que tiveram.

Todo o esforço da Ordem dos Advogados do Brasil ou da Ordem dos Médicos no sentido de melhorar a qualidade de ensino não terá um resultado satisfatório se não houver uma preocupação com a melhora do ensino fundamental.

E arrisco-me a dizer mais: a dura fiscalização que o MEC quer imprimir às instituições de ensino superior, em especial aos cursos de direito, é apenas um subterfúgio para não encarar o problema de frente nem atuar diretamente na causa.

Não é justo que se limite o acesso ao ensino superior, com a diminuição da quantidade de vagas existentes, mas também não é certo que se lance no mercado profissionais sem um mínimo de preparo. Para reverter esse quadro, que certamente vai requerer muito tempo, será necessário um empenho com vistas a melhorar o ensino fundamental, pois é nele que o aluno aprenderá a escrever corretamente.

É nesse momento que ele pode ser introduzido ao mundo mágico da leitura e, sobretudo, é aí que ele aprenderá a desenvolver um raciocínio lógico, tão precário nos dias atuais.

SANDRA SUELI FERREIRA NUNES
Setor Pedro Ludovico – Goiânia


Destino do voto

Excelente o artigo do colunista Hélio Rocha sobre o destino do voto. Ao falar sobre essa consciência do voto, precisamos conhecer os candidatos e escolher justamente os que possam dar exemplo de atuação parlamentar.

Eu admirei muito o prefeito Iris Rezende Machado pela escolha do ex-deputado Paulo Garcia para vice, que, sem dúvida, é um nome que merece a confiança não só para vice mas até para prefeito mesmo, direto.

MIRLEY MARIA GALDINO
Setor Gentil Meireles - Goiânia