| Álcool e transporte público no Brasil A nova lei que torna crime dirigir com qualquer quantidade de álcool
no organismo é importante, mas, como quase tudo no Brasil, chega de forma atrapalhada.
Antes de aplicar uma lei tão dura assim, não seria o caso
de resolver primeiro a questão do transporte público?
Com um sistema de ônibus falho, que ainda por cima não
funciona de madrugada; com o preço das viagens de táxi, e com uma cultura governamental
que constrói viadutos em vez de metrôs, as pessoas vão se locomover como?
Não defendo que se deva sair por aí dirigindo embriagado
(apesar de que parece que alguns governantes dirigem a nossa vida assim). Mas é chato ver
se repetir a velha história: no Brasil, parecemos nunca atacar a causa dos problemas. Só
aplicamos aquela lustradinha, para ficarmos com aparência de europeus, sem ter a base
sólida que eles construíram.
Vamos nos preparar para os shows de jeitinhos brasileiros que
vêm por aí.
JANAÍNA VIEIRA
Setor Pedro Ludovico - Goiânia
¤ O
bafômetro está na boca do povo. A tolerância zero está mexendo com a população
brasileira. Nos quatro cantos do País, só se fala nisso. De um lado, gritam aqueles que
atuam no comércio de bebidas alcoólicas e os que acreditam que dirigem melhor após a
ingestão de álcool. E olha que é uma multidão.
Dados estatísticos contestam essa crença e apontam que 30
mil pessoas morrem anualmente vítimas de acidentes de trânsito e que 65% delas estavam
alcoolizadas ou foram vítimas de motoristas bêbados.
Do outro, estão vozes que desejam que a lei seja aplicada
com bastante rigor para que tenhamos um trânsito seguro e, conseqüentemente, menos
procura por serviços funerários.
Pelo número de motoristas presos a partir da vigência da
lei, pode-se prever um aquecimento na área da construção civil, em virtude da
necessidade de construção de cidades-presídios.
JEOVAH FERREIRA
Taquari - DF
Metrô e aeroporto em Goiânia
O prefeito Iris Rezende demonstrou esperteza ao criticar
propostas de um serviço de metrô em Goiânia. Ele bem sabe que obras desse porte
dependem de parceria com o governo federal. E Goiás não possui políticos influentes
para conquistar esse apoio fundamental.
As obras do novo terminal de passageiros do Aeroporto Santa
Genoveva, por exemplo, estão paralisadas há mais de um ano.
PAULO CLEMENTE DE MORAIS
Setor Centro Oeste - Goiânia
Concurso na odontologia
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) se
solidariza com o cirurgião-dentista Virgílio Freitas, autor de carta publicada
sexta-feira, denunciando a morosidade da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia na
contratação dos aprovados no último concurso da Prefeitura.
De acordo com o colega, eram 230 vagas, mas até agora só
foram chamados 105 profissionais. Enquanto isso, a secretaria continua renovando contratos
de prestação de serviço, apesar da grande quantidade de concursados aprovados
aguardando nomeação profissionais capacitados, selecionados de forma
democrática, por sua capacitação e conhecimento técnico. O Conselho conclama todos os
profissionais que estão na mesma situação, não só em Goiânia, mas também em outros
municípios, a se manifestar. Que tenham a mesma coragem e denunciem não só aos jornais,
mas aos órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público do Trabalho.
É o que o Conselho tem feito de forma sistemática nos
últimos cinco anos. Foi em decorrência de denúncia do CRO-GO que mais de 150
prefeituras goianas começaram a ser investigadas e acabaram sendo obrigadas a realizar
concursos públicos. Mesmo depois de pressionadas pela Procuradoria Regional do Trabalho,
várias prefeituras parecem resistir a cumprir a lei. O Conselho recebeu várias
denúncias de fraudes em concursos, já encaminhadas ao Ministério Público estadual. O
CRO-GO está vigilante e acompanhará com rigor a apuração dos casos, para que a
Constituição Federal seja respeitada.
ANSELMO CALIXTO
Presidente do Conselho Regional de Odontologia de Goiás
Qualidade do ensino
Ao ler o artigo intitulado Pela qualidade do ensino, do
advogado e professor Jônathas Silva, publicado sábado, no qual ele ressalta a
preocupação da Ordem dos Advogados do Brasil e da Ordem dos Médicos do Brasil com a
qualidade de ensino dos respectivos cursos, perguntei-me se a questão da má qualidade de
ensino se resume ao grande número de cursos existentes, decorrente da indiscriminada
autorização para funcionamento concedida pelo Ministério da Educação, bem como de uma
precária fiscalização.
Entendo que esses são fatores que contribuem para a
precária qualidade dos profissionais, não apenas dessas áreas específicas do
conhecimento, mas das demais áreas. Mas não creio que seja o principal aspecto. Falo
isso porque na qualidade de professora universitária, mais precisamente do curso de
direito, convivi com as mais diversas situações, conheci o lado das instituições de
ensino, mas, sobretudo, conheci o lado do corpo discente e deparei-me com alunos que,
apesar da força de vontade, terão poucas chances de competir no mercado de trabalho.
E isso, afirmo sem qualquer dúvida, não é conseqüência
do grande número de instituições privadas de ensino superior que lhes permitiram, sem
um maior esforço, adentrar pelas portas das universidades, mas é um triste reflexo do
precário ensino fundamental que tiveram.
Todo o esforço da Ordem dos Advogados do Brasil ou da Ordem
dos Médicos no sentido de melhorar a qualidade de ensino não terá um resultado
satisfatório se não houver uma preocupação com a melhora do ensino fundamental.
E arrisco-me a dizer mais: a dura fiscalização que o MEC
quer imprimir às instituições de ensino superior, em especial aos cursos de direito, é
apenas um subterfúgio para não encarar o problema de frente nem atuar diretamente na
causa.
Não é justo que se limite o acesso ao ensino superior, com
a diminuição da quantidade de vagas existentes, mas também não é certo que se lance
no mercado profissionais sem um mínimo de preparo. Para reverter esse quadro, que
certamente vai requerer muito tempo, será necessário um empenho com vistas a melhorar o
ensino fundamental, pois é nele que o aluno aprenderá a escrever corretamente.
É nesse momento que ele pode ser introduzido ao mundo
mágico da leitura e, sobretudo, é aí que ele aprenderá a desenvolver um raciocínio
lógico, tão precário nos dias atuais.
SANDRA SUELI FERREIRA NUNES
Setor Pedro Ludovico Goiânia
Destino do voto
Excelente o artigo do colunista Hélio Rocha sobre o destino
do voto. Ao falar sobre essa consciência do voto, precisamos conhecer os candidatos e
escolher justamente os que possam dar exemplo de atuação parlamentar.
Eu admirei muito o prefeito Iris Rezende Machado pela escolha
do ex-deputado Paulo Garcia para vice, que, sem dúvida, é um nome que merece a
confiança não só para vice mas até para prefeito mesmo, direto.
MIRLEY MARIA GALDINO
Setor Gentil Meireles - Goiânia |