Jonathan Campos/
Gazeta do Povo

Tatiane Damiani é levada por
policiais para entrevista coletiva em delegacia de Curitiba |
Mulher joga filha
do sexto andar
Auxiliar de enfermagem, que
sofre de transtorno bipolar, disse
que queria se livrar da menina
Curitiba - Alegando incompetência para
cuidar da filha Mariana Damiani Teixeira, de 8 meses, a auxiliar de enfermagem Tatiane
Damiani, de 41 anos, confessou ter jogado a criança pela janela do sexto andar de um
edifício no centro de Curitiba, onde as duas moravam, na segunda-feira à noite. A menina
morreu ao se chocar contra a laje lateral do prédio. Eu queria me livrar da
Mariana, eu não queria cuidar, não queria trocar, alegou a mulher. A polícia
pediu exames de sanidade mental, mas já a indiciou por homicídio doloso.
Tatiane tem curso superior de enfermagem e deveria ser levada
ao Complexo Penal Feminino, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. O Corpo de
Bombeiros foi alertado, por volta das 21h30, para fazer um atendimento no local porque uma
mulher queria se jogar de uma das janelas. Quando chegaram algumas pessoas de prédios
vizinhos já tinham avistado a criança caída na laje. Eu estava na portaria e o
pessoal me pediu para verificar que tinha uma criança que caiu do prédio ou tinha sido
arremessada, disse o porteiro, Hélio Fagundes. No mesmo momento, outros moradores
conseguiram demover Tatiane da idéia de se matar.
Ouvi as mulheres gritando para que não se jogasse; em
seguida, fui até o térreo para ver o que tinha acontecido. Os policiais estavam chegando
e fui até o apartamento de onde a criança foi jogada. A mãe da criança estava sentada
no sofá com outras duas senhoras tentando confortar, relatou o morador Igor Dutra.
Tatiane foi presa em flagrante. A polícia precisou entrar
com o carro no estacionamento do prédio para que Tatiane não fosse linchada. Os gritos
de assassina foram ouvidos quando ela saía.
À delegada Eunice Vieira Bonome, do Núcleo de Proteção à
Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), a mãe disse que, depois de cumprir
seu horário de trabalho no Hospital de Clínicas, onde está há cerca de 13 anos, ela
foi à creche pegar a criança, levou-a para o apartamento e deu comida.
Depois, teria pegado um banquinho, colocado a criança no
parapeito e simplesmente empurrado. E, com a mesma naturalidade, teria sentado no
parapeito para também se jogar. A delegada disse que vai ouvir os moradores para saber os
argumentos utilizados para demovê-la dessa idéia. Tatiane destacou que foi
incompetente para se matar. Sou covarde,disse.
Em entrevista ontem, ela disse apenas que queria se
livrar da filha. Para não precisar dar banho, não precisar trocar,
não precisar cuidar, não precisar alimentar, disse. Achava que entre nós
não existia nada, disse.
Uma afirmação contestada pela mãe de Tatiane, Raquele
Damiani. Ela tinha cuidado com a criança, disse a avó, que saiu às 19 horas
da noite de segunda-feira de Colorado (RS) e chegou em Curitiba às 7 horas da manhã,
momento em soube da tragédia.
Segundo Raquele, quando a criança nasceu, ambas ficaram por
quatro meses no Rio Grande do Sul. Ela sempre cuidou dela; eu nunca dei banho,
sempre ela deu banho, era bem cuidada; nunca, nunca, nunca judiou dela, afirmou.
Entre os moradores do prédio também não apareceu nenhum que criticasse as atitudes de
Tatiane em relação a eles ou à criança.
Na entrevista, a enfermeira disse que já esteve internada
para tratamento psiquiátrico e que usa medicamentos. Um dos locais por onde teria
passado, segundo ela, é o Complexo Médico Penal (CPM), mas ali somente ficam detentos e
ela ainda não tinha nenhuma passagem pela polícia. Vamos investigar até que ponto
a história da acusada é verdadeira, disse a delegada.
A mãe de Tatiane afirmou que a filha tem transtorno bipolar
(um distúrbio psiquiátrico cuja principal característica é a acentuada oscilação de
humor), mas garantiu que ela fazia tratamento. Não sei se parou de tomar o
remédio, ponderou. Segundo ela, a filha já teve outras crises, quando normalmente
ficava alguns dias desaparecida. No sábado, ela tinha conversado por telefone com a filha
e avisou que vinha visitá-la. Ela disse que era bom porque estava meio
esquecida, afirmou. Mas a gente depende de passagem, de ônibus, e cheguei
atrasada.
O pai da criança, Sérgio Teixeira, esteve no Instituto
Médico-Legal (IML) para liberar o corpo da criança, a fim de sepultá-lo em Piraquara,
onde mora. Ele não quis falar com a imprensa. Eles não moravam juntos. De acordo com
Raquele, os dois se viam a cada 15 dias. (Agência Estado)
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