Goiânia, 1º de outubro de 2008

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Gosto de eleição

::URSULINO LEÃO::

Gosto mesmo. Qualquer eleição me atrai. Seja de cunho municipal, estadual, nacional ou mundial. Seja qual for sua finalidade: eleger o papa ou um prefeito; a flor-símbolo de uma cidade ou o mês mais bonito do ano; um novo imortal para a Academia Brasileira de Letras ou para a Academia Goiana de Letras...

Com direito de votar ou não, quando uma disputa eleitoral desperta meu interesse, escolho um candidato e torço por ele. Às vezes sigo por outro motivo alguns desses embates democráticos. Exemplifico: em relação ao 5 de outubro, por causa de seus efeitos no grande pleito de 2010 (já agendado nas esperanças políticas do Lula, Serra, Aécio, Marconi, Iris...), estou de olho nas eleições de Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Santa Helena e Crixás. Crixás é a terra de meu nascimento. Anápolis continua sendo meu velho e querido domicílio eleitoral.

Ainda pela razão dita acima, acompanho com bastante atenção as campanhas em São Paulo (capital), Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Fora do Brasil, nessa luta pela presidência dos Estados Unidos, estou com o Partido Democrata. Entretanto, nos sucessos das primárias, fiquei em cima do muro, pois Barack Obama e Hillary Clinton, candidatos à indicação, me agradavam igualmente. Corajoso e sensato, modesto e carismático, Obama me lembrava (lembra) John Kennedy e Luther King. Hillary, além de ser Clinton e senadora, conviveu, na Casa Branca, com os mais sérios problemas da humanidade, durante os oito anos que lá residiu. E naquela parada representava muito bem o sexo feminino que se expande triunfalmente na atividade política (por vários séculos monopolizada pelos homens).

É claro que a História averba numerosas exceções a esse domínio masculino. Em todas as épocas, houve mulheres que, no desempenho de funções de liderança ou no exercício do mais importante cargo público de um Estado, construíram impérios e grandezas, conquistaram renome e consagração. Para ilustrar esta assertiva, cito a bíblica Ester, Cleópatra, Joana d’Arc, as rainhas Catarina II (da Rússia), Elisabete I e Vitória I, inglesas; e, mais perto de nosso tempo, Indira Gandhi, Benazir Bhutto, Evita Perón (por que não?...). Também Margaret Thatcher.

Atualmente, entre outras, Condoleezza Rice, a prestigiosa auxiliar de George W. Bush, as presidentes Michelle Bechelet e Cristina Kirchner; a cativante Ingrid Betancourt. Incluo nesta lista a brasileira Ellen Gracie: tendo sido a primeira mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal, lhe assumiu o comando e o exerceu com indiscutível competência e muita elegância.

Por fim, retornando aos EUA: como Hillary, derrotada, apoiou imediatamente o vencedor, creio que, juntos e fortes, Obama e ela vão suplantar o republicano John McCain. E, ainda quanto à crescente presença de senhoras nos mais altos escalões de um governo, lembro que Luiz Inácio Lula da Silva foi infeliz na escolha de algumas ministras (demitiram-se por não terem resistido a certas tentações inerentes às regalias do poder)...

Agora, entendeu de botar a chefe da Casa Civil, mãezinha do PAC, para deslizar na crista das ondas de sua (dele) popularidade.

Acontece, porém, que Dilma Rousseff não sabe surfar...