| Gosto de eleição ::URSULINO LEÃO::
Gosto mesmo. Qualquer eleição me atrai. Seja de cunho
municipal, estadual, nacional ou mundial. Seja qual for sua finalidade: eleger o papa ou
um prefeito; a flor-símbolo de uma cidade ou o mês mais bonito do ano; um novo imortal
para a Academia Brasileira de Letras ou para a Academia Goiana de Letras...
Com direito de votar ou não, quando uma disputa eleitoral
desperta meu interesse, escolho um candidato e torço por ele. Às vezes sigo por outro
motivo alguns desses embates democráticos. Exemplifico: em relação ao 5 de outubro, por
causa de seus efeitos no grande pleito de 2010 (já agendado nas esperanças políticas do
Lula, Serra, Aécio, Marconi, Iris...), estou de olho nas eleições de Goiânia,
Anápolis, Aparecida de Goiânia, Santa Helena e Crixás. Crixás é a terra de meu
nascimento. Anápolis continua sendo meu velho e querido domicílio eleitoral.
Ainda pela razão dita acima, acompanho com bastante
atenção as campanhas em São Paulo (capital), Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Fora do
Brasil, nessa luta pela presidência dos Estados Unidos, estou com o Partido Democrata.
Entretanto, nos sucessos das primárias, fiquei em cima do muro, pois Barack Obama e
Hillary Clinton, candidatos à indicação, me agradavam igualmente. Corajoso e sensato,
modesto e carismático, Obama me lembrava (lembra) John Kennedy e Luther King. Hillary,
além de ser Clinton e senadora, conviveu, na Casa Branca, com os mais sérios problemas
da humanidade, durante os oito anos que lá residiu. E naquela parada representava muito
bem o sexo feminino que se expande triunfalmente na atividade política (por vários
séculos monopolizada pelos homens).
É claro que a História averba numerosas exceções a esse
domínio masculino. Em todas as épocas, houve mulheres que, no desempenho de funções de
liderança ou no exercício do mais importante cargo público de um Estado, construíram
impérios e grandezas, conquistaram renome e consagração. Para ilustrar esta assertiva,
cito a bíblica Ester, Cleópatra, Joana dArc, as rainhas Catarina II (da Rússia),
Elisabete I e Vitória I, inglesas; e, mais perto de nosso tempo, Indira Gandhi, Benazir
Bhutto, Evita Perón (por que não?...). Também Margaret Thatcher.
Atualmente, entre outras, Condoleezza Rice, a prestigiosa
auxiliar de George W. Bush, as presidentes Michelle Bechelet e Cristina Kirchner; a
cativante Ingrid Betancourt. Incluo nesta lista a brasileira Ellen Gracie: tendo sido a
primeira mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal, lhe assumiu o comando e o exerceu
com indiscutível competência e muita elegância.
Por fim, retornando aos EUA: como Hillary, derrotada, apoiou
imediatamente o vencedor, creio que, juntos e fortes, Obama e ela vão suplantar o
republicano John McCain. E, ainda quanto à crescente presença de senhoras nos mais altos
escalões de um governo, lembro que Luiz Inácio Lula da Silva foi infeliz na escolha de
algumas ministras (demitiram-se por não terem resistido a certas tentações inerentes
às regalias do poder)...
Agora, entendeu de botar a chefe da Casa Civil, mãezinha do
PAC, para deslizar na crista das ondas de sua (dele) popularidade.
Acontece, porém, que Dilma Rousseff não sabe surfar... |