Wildes Barbosa

Professor Delson Vieira ficou sem
o salário de setembro |
Corte de ponto vira queda-de-braço
Professores ficaram sem receber salários de
setembro. Sintego diz que vai entrar com ação na justiça para anular decisão da SEE
Patrícia Drummond
Os professores que participaram da greve de 58 dias na rede
estadual de educação ficaram sem receber R$ 9,3 milhões dos R$ 124,8 milhões da folha
mensal de pagamento, valor correspondente ao que foi cortado dos salários por falta ao
trabalho. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) disse que vai
entrar na Justiça contra o corte de ponto. A greve foi suspensa no sábado.
Esse corte de ponto é um absurdo; foi uma decisão
política e não, judicial. A greve é um direito dos trabalhadores, destaca o
presidente do Sintego, Domingos Pereira. Segundo ele, não houve critério para o corte do
salário e muitos trabalhadores chegaram a passar mal quando consultaram a conta zerada
nos bancos. São pais e mães de família, que sustentam casa. É o caso de
Delson Vieira dos Santos, que teve o ponto cortado e não recebeu o salário referente a
setembro. Eu fui o único a aderir à greve na minha escola, disse.
A secretária de Educação, Milca Severino, garante que das
146 escolas da rede estadual localizadas em Goiânia, apenas 16 tiveram cortes de ponto
registrados. Ela ressalta que o controle das faltas, nesse caso, é feito na própria
instituição de ensino, que, depois, remete os dados à Secretaria Estadual da Educação
(SEE). A Secretaria tem controle, sim, de todas as escolas onde os professores
estiveram em greve, garante.
A secretária diz que a decisão pelo corte de ponto não foi
política, mas seguiu orientação judicial. O trabalhador tem direito à greve
enquanto ela não for declarada ilegal pela Justiça, como ocorreu nesse caso, no dia 28
de agosto. O Estado, por sua vez, tem a obrigação de prestar o serviço público, sob
pena de o ônus recair sobre a pessoa física do ordenador de despesas, argumenta
Milca. Agimos dentro da lei, seguindo orientações da Procuradoria-Geral do Estado
e do próprio Poder Judiciário, acrescenta.
De acordo com Domingos Pereira, o Sintego deve impetrar hoje
mandado de segurança coletivo visando garantir o pagamento dos salários, sem corte, por
meio de uma folha suplementar. Estão programadas manifestações na capital e no
interior. Às 8 horas, alunos e professores do Colégio Estadual Pré-Universitário de
Goiânia e do Instituto de Educação de Goiás sairão em passeata até a sede do
Ministério Público, no Jardim Goiás, onde pretendem cobrar uma intervenção do
órgão.
Amanhã, na Praça do Bandeirante, o Sintego dará início a
uma campanha de arrecadação de alimentos a serem distribuídos aos trabalhadores que
não receberam o salário do mês. A manifestação será combinada com panelaço. A
campanha se estenderá até domingo, dia da eleição, quando serão montadas barracas nos
locais de votação, com faixas solicitando a doação de alimentos e a solidariedade da
população em todo o Estado. É para tentar remediar a situação que faremos a
campanha de arrecadação de alimentos, esclarece Domingos, informando que o
Sindicato também enviará ofícios a redes de supermercados e indústrias solicitando
doações.
Milca Severino lembra que os grevistas da Educação
receberam regularmente o pagamento de agosto, porque, até então, o movimento não havia
sido considerado ilegal pela Justiça. A secretária diz, ainda, que vai atender ao MP em
uma determinação de não realizar a reposição das aulas em horários fora do previsto,
como fins de semana. E garante: A SEE vai oferecer essa reposição nos meses de
janeiro e fevereiro, com os professores da rede ou contratados exclusivamente para isso.
Quem não trabalhar, obviamente vai ter o ponto cortado. O único caso considerado
especial pela SEE é o dos vestibulandos, para os quais o órgão vai tentar negociar uma
reposição extraordinária.
Não se trata de retaliação nem queda-de-braço.
Também concordamos que o salário dos professores precisa melhorar e faremos o que
pudermos para ajudá-los. O que não podemos é prejudicar milhares de estudantes e deixar
de prestar o nosso serviço à população, argumenta Milca. |