Goiânia, 1º de julho de 2008

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ENTREVISTA / Marconi Perillo

‘Esperamos respeito e lealdade’

O PSDB vai superar a insatisfação com o processo de definição de candidatura e se engajar na campanha de Sandes Júnior?
Isso se supera com o desenrolar da campanha. O Sandes tem sido atencioso, temos uma boa relação. As arestas serão superadas com o tempo. Infelizmente não conseguimos ter nome do partido por falta de apoio.

O governador diz não ter se intrometido, mas há quem diga que, ao defender a candidatura de Sandes, ele acabou provocando o afunilamento.
Ele que resolveu. Nós sempre dissemos que o governador deveria comandar e que, quando ele escolhesse, estaríamos juntos. Foi isso que aconteceu. Da nossa parte, sempre houve desejo pela base unida. E demos essa demonstração de compromisso, apesar de não termos o mesmo tratamento em Luziânia, por exemplo, em que houve um ato truculento de intervenção (no PP) contra o apoio ao prefeito Célio Silveira. Aquilo foi uma ação arbitrária. O Célio levou 60% dos votos ao governador. Saiu de casa em casa pedindo votos. Mas isso está superado.

O PSDB não terá candidatos em algumas das maiores cidades. É reflexo do crescimento de outros partidos?
Não. Sempre é assim. A gente lança em alguns, não em todos. Na eleição passada, não lançamos nas três maiores cidades. Agora temos em Anápolis. O PSDB tem posição melhor que em 2004. Estamos mais fortes. São quase 150 candidatos.

Como será sua participação na campanha?
Não vou ter como participar muito porque onde um aliado disputa com outro, eu não vou. É pedido deles. Em Goiânia será de acordo com os convites. Sandes me liga todos os dias, várias vezes ao dia. Não tenho problemas com ele. Vou ajudar no que for possível.

O PSDB cobrava também apoio em Anápolis.
O certo era o PP nos apoiar. Eles deviam liberar o diretório. Deveriam estar conosco lá para haver apoio recíproco. O que vemos é discurso de democracia, mas ações com autoritarismo.

O governador criticou a imposição de alianças e disse que o tempo de coronelismo acabou.
Ninguém quer impor nada, só queremos reciprocidade. Não queremos fazer nada de cima para baixo, mas uma mão lava a outra. Essa é a terceira eleição majoritária que apoiamos o PP. Não imponho e não cobro, mas esperamos ser tratados com respeito e lealdade. Só isso.

Os partidos da base estarão unidos em 2010?
A tendência é essa. Pode ser que um ou outro da cúpula não queira, mas a pressão da base vai ser grande.

O governador chamou de formalismo sua cobrança por não ter sido convidado a discutir sucessão.
Ele conversou com Nion e isso foi superado. Estamos unidos. Não seríamos irresponsáveis de rachar a base. Nunca daríamos motivo para desavenças.

A aproximação do governador com PT atrapalha a relação com o PSDB?
Isso não nos preocupa. Tive relação respeitosa, amigável e profícua com o presidente Lula. Só tivemos problemas depois do mensalão. Os governadores do PSDB têm boa relação com ele.

Mas fala-se em aproximação política.
Se tivesse isso, haveria aliança agora. O PT teria apoiado o nome do governador e teria aprovado a reforma administrativa. Só fico observando a diferença de discurso e prática nisso aí.

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