Goiânia, 1º de julho de 2008

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Viagem pela Recife de Nassau

Mariza Santana

Recife, a capital pernambucana também conhecida como Veneza Brasileira devido aos seus canais, ainda conserva as marcas do período em que foi conquistada pelos holandeses, no século 17, passando a ser administrada pelo príncipe de Orange, Maurício de Nassau (1637-1644) em nome da WIC, a Companhia das Índias Ocidentais. Com o nobre veio um grupo de cientistas (astrônomos, botânicos, cartógrafos, naturalistas, arquitetos e engenheiros) e artistas plásticos, para realizar pesquisas, mapear a costa pernambucana, construir palácios e pontes, além de retratar o povo nativo e as belezas do local.

O livro A Cidadela Inventada, do escritor pernambucano Pihba Cavalcanti, reconstitui os últimos anos de Nassau como governador-geral do enclave português no Recife, e ainda as aventuras e desventuras de alguns cientistas que o serviram. Um dos personagens é o astrônomo Georg Markgraf, que relata sua formidável habilidade de viajar em estado de antimatéria pelo tempo e espaço ao seu dileto amigo, o cartógrafo Adriaen van der Zee. Esse, por sua vez, assume a missão de compilar essas aventuras imateriais que levam o astrônomo a se encontrar com o escritor francês François Rabelais, cem anos atrás; a retornar à infância e até a pousar na superfície da lua.

Narrado com leveza e humor, o livro mostra como era a vida em Maurits-Stad, nome dado à cidadela dos batavos instalada ao lado do porto de Recife. Relata ainda as atividades dos engenhos de açúcar da região, o Quilombo dos Palmares formado por negros escravos fugidos, e as obras de Nassau, que queria transformar o local em um exemplo de uma nova civilização. Os cientistas que serviam a Companhia das Índias Ocidentais no Recife fundaram ainda a confraria dos Mensageiros do Futuro, que incluía Margraf e van der Zee.

Nas reuniões desse grupo ocorriam debates apaixonados a respeito de rituais mágicos dos negros africanos, dos legados dos povos da desaparecida Atlântida, das propriedades medicinais das ervas cultivados pelos povos indígenas e das alterações sensoriais provocados pelo uso do ópio. Também discutiam sobre um antigo artefato, denominado simplesmente de machina incognita. Antigas lendas medievais se mesclavam a crendices dos povos nativos do Novo Mundo, numa verdadeira miscelânia cultural.

Um dos episódios interessantes é a descoberta em uma praia, pelos cientistas batavos, do corpo de um animal morto totalmente diferente, que foi dissecado e continuou incompreensível. Somente a intervenção de um homem da terra para apontar o veredito: era o peixe-boi, ainda desconhecido dos conquistadores europeus.

Pihba Cavalcanti adota uma maneira peculiar de narrar os episódios de seus personagens, sem levar em consideração a linearidade. O resultado é uma história original sobre o período em que Recife ficou sob o domínio dos holandeses. O escritor termina seu relato com o retorno do príncipe aos Países Baixos, atendendo às ordens da Companhia das Índias Ocidentais, e a cidadela já sob o cerco dos luso-brasileiros que retomaram aquela parte da colônia para os domínios da Coroa Portuguesa.

No fim do relato, o escritor reforça que o cartógrafo Adriaen van der Zee cumpriu sua promessa e publicou, em Lieden, na Holanda, os relatos contidos no manuscrito compilado por ele, denominado As Espantosas e Secretíssimas Viagens Antimateriais do Astrônomo, Botânico e Zoólogo Georg Markgraf van Liebstadt, aventuras que compõem o livro de Pihba Cavalcanti.

TÍTULO:
A Cidadela Inventada
Autor: Pihba Cavalcanti
Página: 240
Preço: R$ 33,00
Editora: Bertrand Brasil

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