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As 48 Leis do Poder
R. Greene e J. Elffers (Ed. Rocco)
Este livro contém idéias e informações que podem ser úteis para os
que almejam o poder com a finalidade de não caírem vítimas da absoluta demonstração e
exercício de autoridade.
Tânia Franco arquiteta |
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Amor maldito
O Bracelete de Granadas, do escritor russo aleksandr
Ivánovitch Kuprin, traz as marcas do erótico e de um humanismo intenso
Éris Antônio Oliveira
Especial para O POPULAR
O escritor russo Aleksandr Ivánovitch Kuprin, atualmente,
traduzido e disponibilizado no Brasil pela Editora Globo, nos brinda com uma prosa bem
realizada, feita com inteligência e sensibilidade. Sua obra traz as marcas de um
humanismo intenso e de uma beleza rara, que chega a ser comovente.
O nome do livro ora analisado, O Bracelete de Granadas,
deriva da denominação dada a um dos contos, o mais longo desta obra, que tem como enredo
o amor estonteante de um súdito (Jeltkov) por uma princesa (Vera Nikoláevna).
Suas páginas vêm glosadas de sentimentos profundos, de
sabedoria ancestral e de desejos arrebatadores. Com isso, esse autor nos convence de que a
pena, em sua mão, torna-se um olho perscrutador voraz dos embates e segredos fundamentais
de nossa experiência vivencial.
Analista exemplar da condição humana, Kuprin deixa
deslizar, em seus contos, as grandes paixões, a solidão e as carências de forma quase
grotesca. Ele consegue captar, com singular habilidade, os anseios e os conflitos que
animam a alma de suas personagens, mantendo a intensidade e o vigor nela sempre presentes.
Esse autor teve suas obras publicadas na Rússia no final do
século 19 e início do século 20. Foi, portanto, contemporâneo de Tchekhov e de Górki,
escritores primorosos muito apreciados pelos leitores brasileiros.
No conto O Bracelete de Granadas, Jeltkov, um humilde
funcionário da Câmara de Controle, órgão do governo russo, apaixona-se, à primeira
vista, pela princesa Nikoláevna, e para oferecer-lhe uma jóia de grande valor o
bracelete de granadas à altura do status elevado desta, sacou fraudulentamente
dinheiro do erário. A princesa, que era casada, recusou o presente. Vendo-se o infrator
sem a pessoa amada e com grande débito com o Estado, suicida-se. Mas esse trágico
acontecimento é narrado com excepcional maestria e com vívido encanto.
Contraponto
Kuprin consegue fazer um excelente contraponto entre essa narrativa e a Sonata n. 2, opus
2, Largo Apassionato, de Beethoven, de modo a ressaltar a bela correlação que se pode
estabelecer entre a música e a literatura, criações artísticas que se intercambiam
permanentemente.
O tema do amor impossível é instaurador de uma energia que
orienta todo um programa de fundamentação erótica, da esfera do desejo e da lógica do
paradoxo, desenhando modos peculiares de leitura que permitem a ampliação irrestrita do
campo simbólico da cultura, de modo que se possa vislumbrar a supremacia do
impossível verossímil sobre o possível incrível, como postulou
Aristóteles, na Poética.
Escritor intimista, dotado de profícua imaginação, Kuprin
faz da experiência com a linguagem um compromisso pessoal de revelar segredos profundos
que se ocultam na alma humana, reconhecendo na escrita literária o caráter de jogo que
torna a arte um campo criativo por excelência.
Também no conto Allez!, que em francês significa
Avante!, uma artista circense, na tenra idade, apaixona-se por um palhaço
acrobata bem-sucedido, muito mais velho do que ela, mas o namoro tem vida curta e ela
retorna, em seguida, ao seu vazio existencial.
Esses contos mostram, sempre, a inconciliabilidade entre as
pretensões do indivíduo e as formas objetivas que a vida lhe oferece. São narrativas
reveladoras da maneira de ser do homem no mundo, que se exprime, muitas vezes, pelas
desordens objetivas do real, lugar em que a felicidade nem sempre é possível.
Lutando contra o vazio da existência, as personagens de
Kuprin buscam momentos de realização no mundo, mas esses nunca se completam, tornando a
vida uma experiência martirizante e, muitas vezes, difícil de ser harmonizada com os
nossos anseios. Entre realização e incompletude, a maioria das pessoas experimenta a
segunda possibilidade, confirmando a postulação de Guimarães Rosa, segundo a qual
viver é muito perigoso. A obra desse artista russo é emissária de um mundo
do qual nos sentimos alheios.
TÍTULO:
¤ O Bracelete de
Granadas
¤ Autor: Aleksandr Ivánovitch Kuprin
¤ Editora: Globo
¤ Preço médio: R$ 30,00
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