 Planos de governo e eleições
O mundo político se agita com a proximidade das
eleições, enquanto a maioria das pessoas mantém a sua rotina inalterada. As
candidaturas vão se definindo, alianças são seladas, equipes de marketing trabalham a
todo vapor. É nesse cenário caótico de pré-campanha e quase sempre de última hora,
que nascem os projetos de governo.
Heloísa Lima
Há quem reclame dos que se propõem a governar nossas
cidades por tamanho desleixo. Mas, por mais irritante que a pergunta possa soar: quem se
importa com plano de governo? Quantos são os que votam em projetos, em idéias?
As pessoas não se sentem representadas pelos políticos e,
desencantadas, deixam de prestar atenção em política. Com um agravante: a mania de
querer levar vantagem em tudo, enraizada na cultura brasileira. Não seria leviandade
dizer que não são poucos os que votam movidos por algum interesse. Há quem troque o
voto por alguma vantagem imediata, como dinheiro, material de construção e tantas outras
coisas.
Mas há os que o fazem de forma mais sutil. Querem ter um
amigo ou conhecido no poder, alguém que vá arranjar um emprego ou mesmo fazer aquele
favor quando for necessário.
É claro que um erro não justifica o outro. A falta de
critério de uma parcela significativa do eleitorado não exime de culpa aqueles que se
lançam a uma disputa sem um projeto para a cidade. Nada justifica que uma maioria dispute
uma eleição visando tão somente se manter no poder. Mas não dá para ignorar que é
difícil saber se o político profissional, que se move somente pelo desejo de poder,
existe porque há eleitores que só querem tirar vantagem, ou se esses eleitores são
conseqüência de um sistema político corrompido.
Só não dá para ter dúvidas de uma coisa: a corda
arrebenta é do lado mais fraco. O eleitor que troca seu voto por uma ninharia, ou pela
expectativa de tirar alguma vantagem do seu candidato, vai pagar muito caro por seu voto
recebendo em troca péssimos serviços públicos. Esse eleitor vai ter de esperar horas
para ser atendido em hospitais públicos, vai ter seus filhos estudando em escolas sem
qualidade, ou vai até perder sua vida em alguma estrada esburacada, sem se dar conta que
deu corda para o seu algoz enforcá-lo.
Heloísa Lima é
jornalista.
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