Goiânia, 1º de julho de 2008

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Semestre mais violento desde 2000 teve 224 homicídios

Desde o ano 2000, quando a delegacia de homicídios foi reestruturada e passou a manter um banco de dados mais completo, o número desse tipo de crime praticamente triplicou

Rosana Melo

O assassinato do açougueiro Valdir Dias Cabral, de 31 anos, morto com duas facadas – no pescoço e na barriga – na noite de domingo, na Rua 9, na Vila Mutirão, foi o último caso registrado pela Delegacia de Investigações de Homicídios até o final da tarde de ontem em Goiânia. O açougueiro estava com amigos em um bar, quando um homem chegou para cobrar uma dívida de R$ 10. Houve uma discussão e, na frente de testemunhas, o homem pegou uma faca e atingiu o pescoço de Valdir. Antes de cair, a vítima ainda foi atingida com outro golpe na barriga. Amigos de Valdir ainda desarmaram o assassino e o imobilizaram, mas acabaram soltando o homem, identificado como Fernando, que fugiu. Valdir foi levado para o Centro de Atendimento Integral à Saude (Cais) do Jardim Curitiba, mas não resistiu aos ferimentos.

A morte de Valdir é a 224ª registrada este ano em Goiânia, ao final do semestre mais violento nos últimos oito anos, desde que a Delegacia de Homicídios foi reestruturada pela Secretaria de Segurança Pública. Em 2000, quando ocorreu essa mudança, a delegacia registrou na capital 88 crimes de morte de janeiro a junho, quase um terço do registrado nos primeiros seis meses deste ano.

A tendência de aumento no número de assassinatos na capital foi constatada ainda no mês de janeiro, quando 52 crimes foram cometidos, o maior número registrado desde a criação da nova Delegacia de Homicídios em um mês. Fevereiro, apesar de registrar 31 crimes de morte na capital, 21 a menos que o mês anterior, também teve aumento em relação ao mesmo mês em anos anteriores. O mês de março de 2006, que até então tinha sido o mais violento, com 40 mortes, foi também superado este ano, com o registro de 46 assassinatos.

Em abril e em março, quando ocorreram 30 e 27 homicídios, respectivamente, o número de crimes é o mesmo registrado ano passado e este ano, porém, maiores que em 2006, quando o mês de abril registrou 24 crimes e em maio, 18. Em junho, conforme registros da Delegacia de Homicídios, foram cometidos 23 assassinatos no ano passado, número que pulou para 38 até o final da tarde de ontem.

Dívida
A morte do açougueiro Valdir Cabral, conforme o que já foi apurado pela equipe do delegado Kleyton de Oliveira Alencar, adjunto da Delegacia de Homicídios, foi motivada por uma dívida de R$ 10. O estudo da motivação dos crimes começou a ser feito pelas equipes da delegacia em 2004, quando 27,92% dos casos foram motivados por envolvimento da vítima com drogas, seguido por motivos a esclarecer, envolvimento da vítima com bebidas alcoólicas e por confrontos com a Polícia Militar. No ano passado, quando ocorreram 315 assassinatos em Goiânia, 181 deles no primeiro semestre, 35,24% dos crimes haviam sido cometidos por causa do envolvimento da vítima ou do acusado com drogas.

O número de mulheres assassinadas durante todo o ano passado já é igual ao do primeiro semestre deste ano. Foram 19 crimes cometidos contra mulheres em Goiânia e de acordo com investigações da Delegacia de Homicídios, metade deles porque as vítimas tinham envolvimento com drogas.

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