| Serra da Mesa BARIANI ORTENCIO
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Até que enfim fui ao paraíso dos tucunarés, a tão
propalada Serra da Mesa, seis léguas depois de Uruaçu, indo para Niquelândia. São 300
quilômetros, a mesma distância de Aruanã. Para evitar os desvios da BR-153, com longos
trechos em recapagem, de Jaraguá cortamos por Goianésia, Barro Alto, que pagou a pena em
ver um mar verde de canaviais se alongando planícies afora, se debruçando morros abaixo,
e milhares de bois confinados. Em Uruaçu, uma cidade recém-superdesenvolvida, fizemos
compras, além das iscas vivas na casa do Tuca/Irene, almoçamos comida caseira no
restaurante da Maria do Lico. Por quatro quilômetros de terra chegamos à Village Pontal
das Águas, onde fica a ótima residência do Hélio Chacon, nosso anfitrião.
Como sempre, levamos mais o que de-beber do que de-comer,
pacotes de cerveja e garrafas de Vale do Cedro, que a meta eram os peixes, fritos, assados
e ensopados. O Chacon, bom hospedeiro e organizado, construiu um confortável reboque
aquático, cevado pelo velho Genésio, que o leva para determinados lugares, especialmente
aos ninhos dos piaus. Chacon e Jeovah são mestres na piausãma, mas eu
prefiro os peixes de couro, que são mais fáceis de fisgar e, também, na esperança de
preparar um peixe na telha.
Chegamos na quinta-feira à tarde, ainda com tempo de visitar
os piaus. Mas o mar não estava pra peixe. Desculpa da água fria, que mais desculpas não
havia meios, pois tudo foi devidamente planejado. Na sexta-feira e no sábado, apesar da
lua em plenilúnio, batemos vara dia e noite e, talvez nem o professor Jadir, com as suas
quatro varas, mais a linhada na algibeira de trás, conseguisse, a não serem uns
piausinhos três pintas; eu e o Chacon fisgamos dois jurupensens, chamados bico-de-pato, e
o Jeovah, pra tirar o dedo, conseguiu um tucunaré de bom tamanho.
Acontece que o meu bico-de-pato, dependurado pra secar, foi o
petisco de um gato preto que andava negaciando por lá.
Mas o passeio foi ótimo, um aguão retido que dá pra matar
a sede do mundo inteiro, água decantada, limpa; ilhas maravilhosas com abundância de
coqueirais e árvores floridas. Pássaros aquáticos revoando refletidos no imenso espelho
das águas e os demais, sabiás, tejos, bentevis, sanhaços, fogo-pagou e
pássaros-pretos, pelos pomares das chácaras da Village, empreendimento do empresário
Dourival Gonçalves da Silva, que mantém um clube à altura, comandado pelo nosso já
amigo, o Baltazar.
No regresso, domingo, pela manhã, Chacon deu várias voltas
para nos mostrar a região, passando pela BR-153, a rodovia dos caminhões, naquele
trecho, jamantas, verdadeiras empresas móveis, rodando, se contorcendo, desviando das
crateras, uma dança lenta e musicada pelos impropérios dos motoristas. Trânsito sem
trégua, um rosário de veículos, encostados um no outro, quase somente caminhões,
principalmente nas pistas únicas, nos recapeamentos. Essa loucura deverá amenizar com o
término da Ferrovia Norte-Sul.
Mas o desconforto faz a festa para os postos de
combustíveis, restaurantes, quiosques e vendas outras, nos muitos entroncamentos, São
Luiz do Norte, povoado Espírito Santo, Ceres, Rialma, Rianápolis, Nova Glória,
Rubiataba, Itapaci, Pilar de Goiás...Chegamos bem, graças ao Criador, e ainda a tempo de
mandar vir do restaurante, para o almoço, dois tucunarés na chapa.
Macktub! |