Goiânia, 1º de agosto de 2008

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Serra da Mesa

BARIANI ORTENCIO
barianiortencio@uol.com.br

Até que enfim fui ao paraíso dos tucunarés, a tão propalada Serra da Mesa, seis léguas depois de Uruaçu, indo para Niquelândia. São 300 quilômetros, a mesma distância de Aruanã. Para evitar os desvios da BR-153, com longos trechos em recapagem, de Jaraguá cortamos por Goianésia, Barro Alto, que pagou a pena em ver um mar verde de canaviais se alongando planícies afora, se debruçando morros abaixo, e milhares de bois confinados. Em Uruaçu, uma cidade recém-superdesenvolvida, fizemos compras, além das iscas vivas na casa do Tuca/Irene, almoçamos comida caseira no restaurante da Maria do Lico. Por quatro quilômetros de terra chegamos à Village Pontal das Águas, onde fica a ótima residência do Hélio Chacon, nosso anfitrião.

Como sempre, levamos mais o que de-beber do que de-comer, pacotes de cerveja e garrafas de Vale do Cedro, que a meta eram os peixes, fritos, assados e ensopados. O Chacon, bom hospedeiro e organizado, construiu um confortável reboque aquático, cevado pelo velho Genésio, que o leva para determinados lugares, especialmente aos “ninhos” dos piaus. Chacon e Jeovah são mestres na piausãma, mas eu prefiro os peixes de couro, que são mais fáceis de fisgar e, também, na esperança de preparar um peixe na telha.

Chegamos na quinta-feira à tarde, ainda com tempo de visitar os piaus. Mas o mar não estava pra peixe. Desculpa da água fria, que mais desculpas não havia meios, pois tudo foi devidamente planejado. Na sexta-feira e no sábado, apesar da lua em plenilúnio, batemos vara dia e noite e, talvez nem o professor Jadir, com as suas quatro varas, mais a linhada na algibeira de trás, conseguisse, a não serem uns piausinhos três pintas; eu e o Chacon fisgamos dois jurupensens, chamados bico-de-pato, e o Jeovah, pra “tirar o dedo”, conseguiu um tucunaré de bom tamanho.

Acontece que o meu bico-de-pato, dependurado pra secar, foi o petisco de um gato preto que andava negaciando por lá.

Mas o passeio foi ótimo, um aguão retido que dá pra matar a sede do mundo inteiro, água decantada, limpa; ilhas maravilhosas com abundância de coqueirais e árvores floridas. Pássaros aquáticos revoando refletidos no imenso espelho das águas e os demais, sabiás, tejos, bentevis, sanhaços, fogo-pagou e pássaros-pretos, pelos pomares das chácaras da Village, empreendimento do empresário Dourival Gonçalves da Silva, que mantém um clube à altura, comandado pelo nosso já amigo, o Baltazar.

No regresso, domingo, pela manhã, Chacon deu várias voltas para nos mostrar a região, passando pela BR-153, a rodovia dos caminhões, naquele trecho, jamantas, verdadeiras empresas móveis, rodando, se contorcendo, desviando das crateras, uma dança lenta e musicada pelos impropérios dos motoristas. Trânsito sem trégua, um rosário de veículos, encostados um no outro, quase somente caminhões, principalmente nas pistas únicas, nos recapeamentos. Essa loucura deverá amenizar com o término da Ferrovia Norte-Sul.

Mas o desconforto faz a festa para os postos de combustíveis, restaurantes, quiosques e vendas outras, nos muitos entroncamentos, São Luiz do Norte, povoado Espírito Santo, Ceres, Rialma, Rianápolis, Nova Glória, Rubiataba, Itapaci, Pilar de Goiás...Chegamos bem, graças ao Criador, e ainda a tempo de mandar vir do restaurante, para o almoço, dois tucunarés na chapa.

Macktub!