| Estado não registra chuva há quase três meses Última precipitação ocorreu no dia 3 de maio. Tempo seco favorece
queimadas e causa diminuição do nível de reservatórios
Maria José Silva
O mês de agosto mal começou e o tempo seco já dá sinais
devastadores. Registros do 10º Distrito de Meteorologia (10º Disme) do Instituto
Nacional de Meteorologia revelam que não chove em todo o Estado desde 3 de maio. A falta
de chuva por quase três meses é a mais acentuada da última década, superior à seca
verificada em 2003, quando foi registrado 0,6 milímetro de chuva entre maio e julho.
Como acontece todos os anos, a seca favorece as queimadas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, só em julho foram notificados 500 focos de incêndio
de pequena a grande proporções em todo o Estado. O número é 66% maior que o
verificado em junho, quando foram registrados 200 focos. Até agora nenhuma reserva
ambiental foi atingida pelo fogo.
A falta de chuva também começa a prejudicar os
reservatórios das usinas hidrelétricas. Segundo registros do Operador Nacional do
Sistema Elétrico, em junho o volume de dois importantes reservatórios de água do Estado
foi inferior ao verificado no mesmo mês do ano passado. Em São Simão, a queda no volume
de água foi de 5,20% e na Usina de Emborcação, em Três Ranchos, de 30,67%. Em Furnas,
o nível do reservatório permaneceu estável, com acréscimo de 0,34% neste ano.
A chefe do 10º Disme, Elizabete Alves Ferreira, destaca que,
além da propagação de incêndios, a falta de chuva piora os níveis de poluição e
diminui os índices da umidade do ar. Juntas, estas condições favorecem o surgimento de
doenças respiratórias em crianças e idosos. Ela vincula a falta de precipitações nos
últimos três meses ao fato de as chuvas regulares terem prosseguido até o final de
abril.
A meteorologia prevê que o período chuvoso de 2008 só
comece na segunda quinzena de setembro. A superintendente de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico, Rosidalva Lopes da Paz, explica que o tempo seco predomina nesta época do
ano em Goiás devido à circulação média e alta dos níveis da atmosfera vindos da
Região Norte.
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