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Goiânia, 29 de junho a 05 de julho de 2008

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ROLA O PAPO

Andar com fé eu vou

Meninos e meninas contam como alimentam a fé em deus e por que isso é importante para eles

Nara De los Angeles

Quando chega o último sábado do mês, nem adianta chamar Fabrícia Caetano Fonseca, de 14 anos, para passear durante o dia. Ela tem compromisso das 7 à 19 horas: ajudar a cortar verduras para fazer sopa e evangelizar 70 crianças de um bairro carente de Aparecida de Goiânia.

E não pense que Fabrícia gostaria de trocar seu compromisso por um passeio. Uma vez ela até fez isso. Foi a uma festa, mas a diversão não teve graça. É que Fabrícia soube que seus aluninhos ficaram tristes com sua ausência. Ao descobrir que sua ajuda fez falta, a menina aumentou o senso de responsabilidade, assumida em nome da fé que tem em Deus.

Para quem não sabe o que é ter fé, Fabrícia explica: “Para mim, é acreditar numa força maior.” Ela conta que alimenta sua fé rezando e praticando o bem. “Deus olha tudo”, diz, mas esclarece que não basta fazer o bem de qualquer jeito. “É preciso ter amor”.

Fabrícia pertence a uma família que segue a doutrina espírita. Seus avós, pais, tios e outros parentes gostam de ajudar quem precisa. Por isso, fazem sopa de graça para 400 pessoas, uma vez por mês.

Durante a aula, Fabrícia reza com as crianças. Como seguem religiões diferentes, a menina fala de amor, paz, ensina a agradecer a Deus por mais um dia. Depois, canta com a turma, conta uma historinha e pede que façam um desenho. Em seguida todos rezam e comem a sopa.

Ao fim do dia, Fabrícia sente que fez algo pelo mundo, ao fazer o bem ao próximo.

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Fabrícia aprendeu com a doutrina espírita o valor da caridade

Em suas orações, Luísa fala o que está sentindo no momento


Entre músicas e orações

Para Luísa Rodrigues, de 11 anos, ter fé é perseverar em alguma coisa, “nesse caso, em Deus”, explica. Ela pertence a uma família evangélica e a Bíblia é sua companheira. A menina acredita que os ensinamentos de Jesus fazem dela uma pessoa mais forte e segura diante da vida.

Luísa diz que alimenta sua fé, indo à igreja aos domingos, fazendo orações e ouvindo músicas evangélicas. Ela também pratica o bom relacionamento com a família, a obediência aos pais, aos professores e aos mais velhos. Para a menina, tudo isso lhe dá muita alegria.

Devoção em Trindade não é de hoje

rolaopapo3.gif (28959 bytes)A devoção ao Divino Pai Eterno começou há mais de 160 anos com um casal de agricultores. Constantino Xavier Maria e Ana Rosa de Oliveira foram morar nas proximidades do Córrego do Barro Preto, numa região que depois recebeu o nome de Trindade.

Em 1840, eles estavam na terra para plantação, como faziam todos os dias. Foi num dia desses que a enxada que usavam tocou em algo rígido que não era pedra. Quando foram ver o que era, encontraram um medalhão belíssimo de barro que cabia na palma da mão. No medalhão, viram a imagem da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) coroando Maria Santíssima, nossa mãezinha do céu. A imagem ficou conhecida algum tempo depois como a representação do Divino Pai Eterno.

Ao pegar o medalhão, eles o beijaram e o levaram para casa. Depois disso, muitos milagres começaram a acontecer na vida deles e dos que chegavam perto do medalhão. A notícia se espalhou tão rápido que todos começaram a querer ver e a fazer pedidos ao Divino Pai Eterno.

Como o medalhão era frágil, foi feita uma imagem representando aquela mesma figura. Quem fez foi um dos maiores artistas plásticos em Goiás, Veiga Valle. É essa imagem que as pessoas visitam e por ela alimentam sua devoção ao Pai. O medalhão existe até hoje, mas é guardado num local secreto por causa do seu valor histórico e da fragilidade.

O Santuário de Trindade é a única Basílica dedicada ao Divino Pai Eterno em todo o mundo. Além disso, essa devoção é a única que começou nesta região e tem se espalhado por toda parte.

O Pai Eterno é aquele que nos anima e que nos faz viver. Se não fosse Ele, não teríamos nada do que temos. É por isso que amar o Pai é importante para mim, como padre, já que recebi inúmeras graças de suas mãos santas. Mas é importante também para você que acredita que Ele existe e lhe move. Viva o Divino Pai Eterno!

PE. ROBSON DE OLIVEIRA
é padre redentorista e Reitor do Santuário-Basílica de Trindade


Festa para o Divino Pai Eterno

rolaopapo4.gif (28201 bytes)É bonito ver como a fé em Deus coloca juntinhas pessoas de todas as idades, pobres e ricas. É assim durante a Festa em Louvor ao Divino Pai Eterno, em Trindade, que começou anteontem e termina dia 6 de julho.

A cidade fica apinhadinha de gente nessa época do ano. A maioria de quem vai mora em municípios próximos, como Goiânia, que fica a 18 quilômetros. Mas o número de fiéis de tudo que é canto do País cresce a cada vez que a festa é realizada.

Muitos devotos fazem questão de ir a pé. Eles costumam fazer isso para pagar alguma promessa, expressar a fé no Divino Pai Eterno ou por pura vontade, mesmo. Outros já preferem cumprir o trajeto em carro de boi. Dependendo da distância percorrida, podem levar dias e dias para chegar.

Também tem a turma dos que vão em ônibus, carro, moto e bicicleta. Seja qual for o meio de transporte escolhido, o que vale, para essas pessoas, é não deixar de ir.

Para quem vai, um dos momentos mais emocionantes da chegada a Trindade é avistar o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, o santuário novo. Lá, cada um agradece a Deus do seu jeito.


Caminhada uma vez por ano

Os irmãos gêmeos Leandra e Leandro Lourenço Martins, de 11 anos, gostam de rezar. Eles esperam pelo momento de ir com a mãe, Adriana Lourenço Moisés, de Goiânia a Trindade a pé. Ela faz esse percurso uma vez por ano, durante a festa. Diz que quando os filhos crescerem, vai deixar que eles a acompanhem na caminhada.


Romaria de carros de boi

Quem não está acostumado a caminhar ou nunca andou em carro de boi pode achar difícil ou desconfortável viajar assim. Mas quem tem fé no Divino Pai Eterno geralmente vai a Trindade sem reclamar de lonjura nem cansaço. Por que será?

O exemplo de Ruan Alves Araújo, de 13 anos, pode ajudar a entender porquê. Há dois anos, ele sai de Damolândia e conduz, com dois amigos, um dos mais de 60 carros de boi de romeiros que de vão de lá até Trindade.

São 63 quilômetros de distância. Entre rezas, muita poeira na estrada e pousos, são três dias de viagem. Ruan diz que o trajeto cansa e dá dor nas pernas, mas garante que não é nenhum sacrifício porque “a fé torna tudo mais fácil”.

Dener Alves Pereira, de 14 anos, é parceiro de romaria de Ruan. Devoto do Divino Pai Eterno, participa da festa desde pequeno. Para ele, essa é a melhor época do ano. O menino diz que alimenta sua fé rezando e fazendo o bem ao próximo.


Boa ação todo dia

João Luiz Alves Filho, de 14 anos, mora em Trindade. Ele é devoto do Divino Pai Eterno. Sempre que pode, ajuda quem precisa. Ele faz isso em atividades da igreja e sozinho. “Isso aumenta a minha fé”, garante.

Segundo o padre Helder José, do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, existem várias formas de demonstrar fé. Ele dá algumas dicas: fazendo orações, perdoando, ajudando os necessitados, tendo paciência com os outros, levando a sério os estudos, obedecendo o pai e a mãe e não brigando com os colegas.

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