Andar com fé eu vouMeninos e meninas contam como alimentam a fé em deus e por que isso é
importante para eles
Nara De los Angeles
Quando chega o último sábado do mês, nem adianta chamar Fabrícia Caetano Fonseca, de
14 anos, para passear durante o dia. Ela tem compromisso das 7 à 19 horas: ajudar a
cortar verduras para fazer sopa e evangelizar 70 crianças de um bairro carente de
Aparecida de Goiânia.
E não pense que Fabrícia gostaria de trocar seu compromisso
por um passeio. Uma vez ela até fez isso. Foi a uma festa, mas a diversão não teve
graça. É que Fabrícia soube que seus aluninhos ficaram tristes com sua ausência. Ao
descobrir que sua ajuda fez falta, a menina aumentou o senso de responsabilidade, assumida
em nome da fé que tem em Deus.
Para quem não sabe o que é ter fé, Fabrícia explica:
Para mim, é acreditar numa força maior. Ela conta que alimenta sua fé
rezando e praticando o bem. Deus olha tudo, diz, mas esclarece que não basta
fazer o bem de qualquer jeito. É preciso ter amor.
Fabrícia pertence a uma família que segue a doutrina
espírita. Seus avós, pais, tios e outros parentes gostam de ajudar quem precisa. Por
isso, fazem sopa de graça para 400 pessoas, uma vez por mês.
Durante a aula, Fabrícia reza com as crianças. Como seguem
religiões diferentes, a menina fala de amor, paz, ensina a agradecer a Deus por mais um
dia. Depois, canta com a turma, conta uma historinha e pede que façam um desenho. Em
seguida todos rezam e comem a sopa.
Ao fim do dia, Fabrícia sente que fez algo pelo
mundo, ao fazer o bem ao próximo.

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Fabrícia
aprendeu com a doutrina espírita o valor da caridade |
Em suas
orações, Luísa fala o que está sentindo no momento |
Entre músicas e orações
Para Luísa Rodrigues, de 11 anos, ter fé é perseverar em
alguma coisa, nesse caso, em Deus, explica. Ela pertence a uma família
evangélica e a Bíblia é sua companheira. A menina acredita que os ensinamentos de Jesus
fazem dela uma pessoa mais forte e segura diante da vida.
Luísa diz que alimenta sua fé, indo à igreja aos domingos,
fazendo orações e ouvindo músicas evangélicas. Ela também pratica o bom
relacionamento com a família, a obediência aos pais, aos professores e aos mais velhos.
Para a menina, tudo isso lhe dá muita alegria.
Devoção em Trindade não é de hoje
A devoção ao Divino Pai Eterno começou há mais de 160 anos com um casal
de agricultores. Constantino Xavier Maria e Ana Rosa de Oliveira foram morar nas
proximidades do Córrego do Barro Preto, numa região que depois recebeu o nome de
Trindade.
Em 1840, eles estavam na terra para plantação, como faziam
todos os dias. Foi num dia desses que a enxada que usavam tocou em algo rígido que não
era pedra. Quando foram ver o que era, encontraram um medalhão belíssimo de barro que
cabia na palma da mão. No medalhão, viram a imagem da Santíssima Trindade (Pai, Filho e
Espírito Santo) coroando Maria Santíssima, nossa mãezinha do céu. A imagem ficou
conhecida algum tempo depois como a representação do Divino Pai Eterno.
Ao pegar o medalhão, eles o beijaram e o levaram para casa.
Depois disso, muitos milagres começaram a acontecer na vida deles e dos que chegavam
perto do medalhão. A notícia se espalhou tão rápido que todos começaram a querer ver
e a fazer pedidos ao Divino Pai Eterno.
Como o medalhão era frágil, foi feita uma imagem
representando aquela mesma figura. Quem fez foi um dos maiores artistas plásticos em
Goiás, Veiga Valle. É essa imagem que as pessoas visitam e por ela alimentam sua
devoção ao Pai. O medalhão existe até hoje, mas é guardado num local secreto por
causa do seu valor histórico e da fragilidade.
O Santuário de Trindade é a única Basílica dedicada ao
Divino Pai Eterno em todo o mundo. Além disso, essa devoção é a única que começou
nesta região e tem se espalhado por toda parte.
O Pai Eterno é aquele que nos anima e que nos faz viver. Se
não fosse Ele, não teríamos nada do que temos. É por isso que amar o Pai é importante
para mim, como padre, já que recebi inúmeras graças de suas mãos santas. Mas é
importante também para você que acredita que Ele existe e lhe move. Viva o Divino Pai
Eterno!
PE. ROBSON DE OLIVEIRA
é padre redentorista e Reitor do Santuário-Basílica de Trindade
Festa para o Divino Pai Eterno
É bonito ver como a fé em Deus coloca juntinhas
pessoas de todas as idades, pobres e ricas. É assim durante a Festa em Louvor ao Divino
Pai Eterno, em Trindade, que começou anteontem e termina dia 6 de julho.
A cidade fica apinhadinha de gente nessa época
do ano. A maioria de quem vai mora em municípios próximos, como Goiânia, que fica a 18
quilômetros. Mas o número de fiéis de tudo que é canto do País cresce a cada vez que
a festa é realizada.
Muitos devotos fazem questão de ir a pé. Eles
costumam fazer isso para pagar alguma promessa, expressar a fé no Divino Pai Eterno ou
por pura vontade, mesmo. Outros já preferem cumprir o trajeto em carro de boi. Dependendo
da distância percorrida, podem levar dias e dias para chegar.
Também tem a turma dos que vão em ônibus,
carro, moto e bicicleta. Seja qual for o meio de transporte escolhido, o que vale, para
essas pessoas, é não deixar de ir.
Para quem vai, um dos momentos mais emocionantes
da chegada a Trindade é avistar o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, o santuário
novo. Lá, cada um agradece a Deus do seu jeito.
Caminhada uma vez por ano
Os irmãos gêmeos Leandra e Leandro Lourenço
Martins, de 11 anos, gostam de rezar. Eles esperam pelo momento de ir com a mãe, Adriana
Lourenço Moisés, de Goiânia a Trindade a pé. Ela faz esse percurso uma vez por ano,
durante a festa. Diz que quando os filhos crescerem, vai deixar que eles a acompanhem na
caminhada.
Romaria de carros de boi
Quem não está acostumado a caminhar ou nunca
andou em carro de boi pode achar difícil ou desconfortável viajar assim. Mas quem tem
fé no Divino Pai Eterno geralmente vai a Trindade sem reclamar de lonjura nem cansaço.
Por que será?
O exemplo de Ruan Alves Araújo, de 13 anos,
pode ajudar a entender porquê. Há dois anos, ele sai de Damolândia e conduz, com dois
amigos, um dos mais de 60 carros de boi de romeiros que de vão de lá até Trindade.
São 63 quilômetros de distância. Entre rezas,
muita poeira na estrada e pousos, são três dias de viagem. Ruan diz que o trajeto cansa
e dá dor nas pernas, mas garante que não é nenhum sacrifício porque a fé torna
tudo mais fácil.
Dener Alves Pereira, de 14 anos, é parceiro de
romaria de Ruan. Devoto do Divino Pai Eterno, participa da festa desde pequeno. Para ele,
essa é a melhor época do ano. O menino diz que alimenta sua fé rezando e fazendo o bem
ao próximo.
Boa ação todo dia
João Luiz Alves Filho, de 14 anos, mora em
Trindade. Ele é devoto do Divino Pai Eterno. Sempre que pode, ajuda quem precisa. Ele faz
isso em atividades da igreja e sozinho. Isso aumenta a minha fé, garante.
Segundo o padre Helder José, do Santuário
Basílica do Divino Pai Eterno, existem várias formas de demonstrar fé. Ele dá algumas
dicas: fazendo orações, perdoando, ajudando os necessitados, tendo paciência com os
outros, levando a sério os estudos, obedecendo o pai e a mãe e não brigando com os
colegas.
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