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Goiânia, 11 a 17 de maio de 2008

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ROLA O PAPO

Tudo que ela faz

Mãe pega no pé, né? Daí você reclama, fica emburrado... Mas bem lá no fundinho, sabe que papel de mãe é esse mesmo. E até gosta.

Heloísa Lima

Tem coisa pior do que marcar uma tarde no shopping como os amigos e na hora H a mãe dizer um não bem redondo? E quando ela dá um castigo daqueles, tipo ficar a semana inteira sem TV, sem videogame e sem internet? Nessa hora, é difícil controlar a sensação de estar sendo injustiçado. Mal dá para segurar o choro (às vezes não dá mesmo!).

Depois disso, há quem fique bronqueado com a mãe. Mas, bem lá no fundo, todo mundo sabe que ela não faz por mal. Mão pode até exagerar e errar - porque é gente, né?, mas o que ela quer mesmo é cuidar dos filhos.

Para saber o que a galera acha que é função de mãe, o Almanaque ouviu uma turminha com 10 e 11 anos. Cada um deu falou o que quis e no fim ficou superclaro que, para eles, mãe tem de ser amiga, mas antes de tudo tem de ser mãe. Irra! A turma reconhece o esforço das mães para fazê-los felizes e para garantir um futuro bacana.
Falou, tá falado!


Sõ não pode miar

Para Lucas Emílio Mendes Silva, 11 anos, a principal função da mãe é “proteger e ajudar o filho”. Mas sem exagero, claro. “Mãe que protege demais, deixa o filho mimado.” Para Lucas, proteção tem de ser na medida certa, para que o filho aprenda a ser responsável pelos seus atos e não se torne um adulto que não sabe conviver com problemas no futuro.

Edilberto de Almeida Peixoto, 11 anos, também concorda que é papel mãe impor limites. Para isso, vale até castigo e um tapinha de leve. Tem horas, diz, que um tapinha é até melhor do que castigo. “É que o tapinha nem dói direito. Agora, tem castigo que dura uma semana.” Edilberto não conta o motivo, mas diz que já ficou sete dias inteirinhos sem TV, sem internet, sem telefone e sem videogame. Foi duro passar por esse sacrifício, mas ele admite que mereceu.

Ana Emília Lopes Rodrigues diz que o que acha mais chato é quando a mãe, Jaida, diz uma coisa e depois muda de idéia. “Eu peço para ir ao shopping com as minhas amigas, digo que a mãe de uma delas vai. Ela deixa, depois volta atrás. Diz que não é para eu ir”, explica. Nesses casos, explica, fica brava com a mãe um pouquinho, mas logo passa. Ela diz que a pior coisa do mundo é ver a mãe triste ou chorando. “Às vezes ela não conta o motivo para a gente não ficar preocupado”, diz a menina. Edilberto vai mais longe e afirma que preferia ficar triste e chorar no lugar da mãe, Gesuína. “É ruim demais ver a mãe da gente chorando.”


Na opinião da galera, mãe tem de...

- Proteger
- Dizer não
- Deixar o filho livre para aprender a ter responsabilidade
- Ensinar a fazer tarefas domésticas
- Impor limites
- Deixar de castigo
- Guardar segredo
- Ser confiável
- Ver quem são as companhias do filho
- Ajudar o filho a cuidar da aparência
- Chamar a atenção para a alimentação correta
- Cuidar quando o filho está doente
- Levar ao médico, ao dentista
- Pegar no pé para o filho estudar

Tem briga e tem amor

É chato brigar com a mãe. Também é chato quando a mãe briga com a gente. Mas a garotada diz que tem de ser assim mesmo. Edilberto conta que acha que a mãe faz o certo ao limitar o tempo que ele fica na TV e no computador. Às vezes, conta, ele se revolta e diz que a mãe não gosta dele. Para o Almanaque, Edilberto explica que tudo é da boca para fora. Ele sabe que a mãe gosta e muito dele. Quando briga com a mãe, ele fica triste. Como não tem coragem de pedir desculpas, logo dá um jeito de ir puxando conversa com ela.

Edilberto diz ainda que, quando faz tudo certinho, a mãe começa a dar mais liberdade para ele. Mas daí, se pisa na bola, tem de começar do zero e conquistar a confiança dela de novo. Nessas horas, conta, o jeito é fazer tudo para agradar a mãe: estudar tabuada, arrumar a casa, lavar a louça. Ele diz que não gosta muito de ajudar nas tarefas domésticas, mas entende que é importante. “Quando eu crescer e for morar sozinho, não vou ter ela para fazer tudo.” Iasmyn Barros, 10 anos, concorda com a importância de ajudar a mãe, Rosenilda, em casa. “Somos só nós duas, tenho de cooperar com ela.”

A mãe de Lucas se preocupa com o peso dele. Quer saber se ele está magro demais ou engordando e acompanha de perto a qualidade da alimentação do menino. “Ela está certa”, concorda Lucas. Já Ana Emília lembra que a mãe se preocupa com o número de atividades que a minha faz fora da sala de aula, como balé e línguas. Ela não quer que a menina faça mais coisas do que a sua capacidade. “Esse é o papel de mãe mesmo”, diz.


Mais amiga que os amigos

Edilberto conta que a mãe se preocupa demais com as companhias dele. Ela tem medo que no futuro o menino se envolva com coisas erradas, como álcool e drogas. “Minha mãe quer que eu ande com as pessoas certas.”
Iasmyn vai além e garante entender quando a mãe diz ‘não’. “Quando eu crescer não vou poder ter tudo mesmo”, conforma-se. Ela, porém, reconhece que a mãe faz o possível para atender seus pedidos, mesmo que demore um pouquinho. “Pedi para ela um pingüim de pelúcia. Demorou um ano, mas ela me deu.”

Ana Emília não aceita que os outros critiquem sua mãe. “Eles nem conhecem a minha direito.” Para a menina, mãe é mais importante que amigos. “Às vezes a gente não pode confiar nos amigos. Na mãe a gente pode confiar sempre.” O resto do grupo faz coro. “Mãe é mais amiga que os amigos. Quem garante que, se você brigar com eles, eles não vão contar suas coisas para os outros?”, questiona Edilberto.

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