Tudo que ela fazMãe pega no pé, né? Daí você reclama, fica emburrado... Mas bem lá no
fundinho, sabe que papel de mãe é esse mesmo. E até gosta.
Heloísa Lima
Tem coisa pior do que marcar uma tarde no shopping como os
amigos e na hora H a mãe dizer um não bem redondo? E quando ela dá um castigo daqueles,
tipo ficar a semana inteira sem TV, sem videogame e sem internet? Nessa hora, é difícil
controlar a sensação de estar sendo injustiçado. Mal dá para segurar o choro (às
vezes não dá mesmo!).
Depois disso, há quem fique bronqueado com a mãe. Mas, bem
lá no fundo, todo mundo sabe que ela não faz por mal. Mão pode até exagerar e errar -
porque é gente, né?, mas o que ela quer mesmo é cuidar dos filhos.
Para saber o que a galera acha que é função de mãe, o
Almanaque ouviu uma turminha com 10 e 11 anos. Cada um deu falou o que quis e no fim ficou
superclaro que, para eles, mãe tem de ser amiga, mas antes de tudo tem de ser mãe. Irra!
A turma reconhece o esforço das mães para fazê-los felizes e para garantir um futuro
bacana.
Falou, tá falado!
Sõ não pode miar
Para Lucas Emílio Mendes Silva, 11 anos, a principal
função da mãe é proteger e ajudar o filho. Mas sem exagero, claro.
Mãe que protege demais, deixa o filho mimado. Para Lucas, proteção tem de
ser na medida certa, para que o filho aprenda a ser responsável pelos seus atos e não se
torne um adulto que não sabe conviver com problemas no futuro.
Edilberto de Almeida Peixoto, 11 anos, também concorda que
é papel mãe impor limites. Para isso, vale até castigo e um tapinha de leve. Tem horas,
diz, que um tapinha é até melhor do que castigo. É que o tapinha nem dói
direito. Agora, tem castigo que dura uma semana. Edilberto não conta o motivo, mas
diz que já ficou sete dias inteirinhos sem TV, sem internet, sem telefone e sem
videogame. Foi duro passar por esse sacrifício, mas ele admite que mereceu.
Ana Emília Lopes Rodrigues diz que o que acha mais chato é
quando a mãe, Jaida, diz uma coisa e depois muda de idéia. Eu peço para ir ao
shopping com as minhas amigas, digo que a mãe de uma delas vai. Ela deixa, depois volta
atrás. Diz que não é para eu ir, explica. Nesses casos, explica, fica brava com a
mãe um pouquinho, mas logo passa. Ela diz que a pior coisa do mundo é ver a mãe triste
ou chorando. Às vezes ela não conta o motivo para a gente não ficar
preocupado, diz a menina. Edilberto vai mais longe e afirma que preferia ficar
triste e chorar no lugar da mãe, Gesuína. É ruim demais ver a mãe da gente
chorando.
Na opinião da galera, mãe tem de...
- Proteger
- Dizer não
- Deixar o filho livre para aprender a ter responsabilidade
- Ensinar a fazer tarefas domésticas
- Impor limites
- Deixar de castigo
- Guardar segredo
- Ser confiável
- Ver quem são as companhias do filho
- Ajudar o filho a cuidar da aparência
- Chamar a atenção para a alimentação correta
- Cuidar quando o filho está doente
- Levar ao médico, ao dentista
- Pegar no pé para o filho estudar
Tem briga e tem amor
É chato brigar com a mãe. Também é chato quando a mãe
briga com a gente. Mas a garotada diz que tem de ser assim mesmo. Edilberto conta que acha
que a mãe faz o certo ao limitar o tempo que ele fica na TV e no computador. Às vezes,
conta, ele se revolta e diz que a mãe não gosta dele. Para o Almanaque, Edilberto
explica que tudo é da boca para fora. Ele sabe que a mãe gosta e muito dele. Quando
briga com a mãe, ele fica triste. Como não tem coragem de pedir desculpas, logo dá um
jeito de ir puxando conversa com ela.
Edilberto diz ainda que, quando faz tudo certinho, a mãe
começa a dar mais liberdade para ele. Mas daí, se pisa na bola, tem de começar do zero
e conquistar a confiança dela de novo. Nessas horas, conta, o jeito é fazer tudo para
agradar a mãe: estudar tabuada, arrumar a casa, lavar a louça. Ele diz que não gosta
muito de ajudar nas tarefas domésticas, mas entende que é importante. Quando eu
crescer e for morar sozinho, não vou ter ela para fazer tudo. Iasmyn Barros, 10
anos, concorda com a importância de ajudar a mãe, Rosenilda, em casa. Somos só
nós duas, tenho de cooperar com ela.
A mãe de Lucas se preocupa com o peso dele. Quer saber se
ele está magro demais ou engordando e acompanha de perto a qualidade da alimentação do
menino. Ela está certa, concorda Lucas. Já Ana Emília lembra que a mãe se
preocupa com o número de atividades que a minha faz fora da sala de aula, como balé e
línguas. Ela não quer que a menina faça mais coisas do que a sua capacidade. Esse
é o papel de mãe mesmo, diz.
Mais amiga que os amigos
Edilberto conta que a mãe se preocupa demais com as
companhias dele. Ela tem medo que no futuro o menino se envolva com coisas erradas, como
álcool e drogas. Minha mãe quer que eu ande com as pessoas certas.
Iasmyn vai além e garante entender quando a mãe diz não. Quando eu
crescer não vou poder ter tudo mesmo, conforma-se. Ela, porém, reconhece que a
mãe faz o possível para atender seus pedidos, mesmo que demore um pouquinho. Pedi
para ela um pingüim de pelúcia. Demorou um ano, mas ela me deu.
Ana Emília não aceita que os outros critiquem sua mãe.
Eles nem conhecem a minha direito. Para a menina, mãe é mais importante que
amigos. Às vezes a gente não pode confiar nos amigos. Na mãe a gente pode confiar
sempre. O resto do grupo faz coro. Mãe é mais amiga que os amigos. Quem
garante que, se você brigar com eles, eles não vão contar suas coisas para os
outros?, questiona Edilberto. |